O melhor ano da história da indústria automobilística nacional fechou com o total de 3.141.226 veículos emplacados (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus). O volume, que surpreendeu até mesmo os executivos mais otimistas diante da crise que ameaçava a abalar o setor no início de 2009, representa aumento de 11,35% nas vendas em relação a 2008, até então o ano recorde do setor, com 2.820.957 unidades vendidas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (05) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
"Temos um novo piso de volume de vendas, que superou a média mensal de 250 mil unidades", afirma o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze. Segundo Reze, se não houvesse crise, que chegou a afetar o primeiro trimestre do ano, o crescimento das vendas seria de 3,5%. "O primeiro semestre de 2009 foi de recuperação e o segundo de crescimento."
Somente o resultado do mês de dezembro representa aumento de 16,4% dos emplacamentos, com 293.030 unidades emplacadas contra 238.504 unidades em novembro. O resultado representa o melhor dezembro da história da indústria no país. Ao comparar com o fraco dezembro de 2008 — quando a crise se agravou e o governo anunciou o desconto sobre o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) — a expansão de dezembro de 2009 foi de 50,6%, de 194.550 unidades para 293.030 unidades.
Ao destacar o segmento de automóveis e comerciais leves (o principal beneficiado do desconto do IPI), as vendas chegaram a 3.009.482 unidades em 2009, aumento de 11,39% sobre o ano anterior. Em dezembro, foram emplacadas 277.944 unidades, volume 16,54% superior ao de novembro, com 238.504 unidades, e 51,12% maior em relação a dezembro de 2008, quando haviam saído das concessionárias 183.919 unidades.
Já o segmento de caminhões fechou o ano com queda de 11,47% em relação a 2008 e um total de 109.146 unidades emplacadas. No ano anterior foram 123.283 unidades. Em dezembro, as 12.702 unidades comercializadas corresponderam à venda 14,14% superior sobre novembro, quando foram emplacadas 11.128 unidades. Em 2009, o mercado de caminhões foi prejudicado pela crise financeira que abalou o mundo. As vendas de caminhões pesados foram as mais prejudicadas, por se tratar de veículos mais utilizados em setores da economia como mineração, agricultura, construção civil, entre outros, afetados diretamente pela crise.
O presidente da fenabrave acrescenta ainda que a falta de produtos também afeta as vendas no setor. "O setor de caminhões foi impactado também pela falta de produto. Na previsão para um ano péssimo, as montadoras diminuiram a produção, mas com a retomada da demanda, faltou produto", observou.
Assim, o mercado de implementos rodoviários (caçambas, baús etc, que equipam os caminhões) também sofreu. O segmento registrou queda de 21,59% sobre o resultado de 2008, com 40.254 unidades emplacadas.
O segmento de ônibus também passou por altos e baixos e encerrou o ano com retração de 14,19% sobre 2008. Foram 22.598 ônibus emplacados, contra 26.336 no ano anterior. Em dezembro, o segmento registrou alta de 14,19% sobre novembro, com 2.384 unidades comercializadas.
Perspectivas para 2010
Se era previsto crise em 2009, o fechamento com recorde projeta pra 2010 um novo patamar de vendas. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 2010 será o melhor ano da história do setor no país, com crescimento de 9,3% nas vendas, o que corresponde ao volume de 3,4 milhões de unidades. A dimensão do mercado é representada pelo grau dos investimentos anunciados nos últimos meses, que somam R$ 16,2 bilhões — montante que subirá com o novo ciclo de investimentos que será anunciado pela Fiat no ano que vem.
Já a Fenabrave a acredita que o mercado de automóveis e comerciais leves crescerá 9% neste ano. “Se as projeções do governo é de que o Brasil crescerá 5%, o setor tem plenas condições de superar esse nível”, observa Sérgio Reze.
Fonte: G1